O Sansimonismo


Falo então de Claude Henri Saint-Simon (1760-1825 ) e a sua noção de rede e totalidade orgânica.
Primeiro que tudo, recuemos um pouco até à origem da palavra “rede” e assim sendo, esta deriva do latim retis e durante o século XII era usada para designar o conjunto de fios entrelaçados, linhas e nós que serviam para capturar animais (definição esta que se mantém nos dicionários actuais). Ao longo da evolução da representação de rede, houve uma comparação entre esta e o organismo humano com a finalidade de distinguir o corpo na sua totalidade como organizador de fluxos ou tecidos.
Contudo, foi a doutrina de Saint- Simon que elevou a rede ao nível de conceito.
Através de uma metáfora organicista, esta doutrina foi transmitida e enriquecida por seus numerosos e influentes homens que sintetizaram duas das correntes mais poderosas do pensamento do século XIX – as economias de circulação e a utopia da ligação universal.
Como base destas ideias está então o conceito de fisiologia social (a metáfora atrás referida), segundo a qual, a sociedade é nela concebida como um sistema orgânico, emaranhado ou tecido de redes, mas também, como sistema industrial, gerida por e como uma industria. Á imagem do sangue no corpo humano, a circulação do dinheiro dá á sociedade-indústria uma vida unitária. Desta filosofia do industrialismo extrai-se uma ideia operativa para apressar o advento daquilo a que chama a idade positiva: a função organizadora da produção das redes artificiais, da comunicação-transporte e da finança.
Por fim, resta dizer que o “sansimonismo” simboliza o espírito empreendedor da segunda metade do sec. XIX e assim se reforça a importância e o impacto de Saint – Simon no âmbito d organismo social da sua época